Nossa História

A A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica” completa no dia 05/11/2015 140 de anos de existência, sendo a terceira mais antiga do Estado do Paraná, filiada ao Grande Oriente do Brasil e em plena atividade. Mas, para que este ponto viesse culminar muitas águas rolaram. Para que sintais a odisseia, faz-se necessário retroceder no tempo e no espaço.

Imaginemos, pois, que estamos no longínquo ano da graça de nosso Senhor Jesus Cristo de 1875, mais precisamente no dia 05 de novembro, em nossa querida cidade de Curitiba, à época Curityba. A cidade contava apenas com 12.651 habitantes , incluindo 951 escravos, segundo conta o historiador do Paraná, Dr. Davi Carneiro. Para melhor situar-se no tempo, a Catedral Metropolitana ainda estava em obras, tendo sido concluída em 1888 e os destinos da província estavam sob a batuta do Dr. Adolpho Lamenha Lins.

Naquela época não havia energia elétrica ou rede de água e esgoto e segundo o maior historiador do Estado do Paraná e ex-membro desta Augusta Oficina, Romário Martins , iniciava-se o desbaste das pedras que tornar-se-iam as primeiras calçadas de paralepípedo da cidade, sendo escolhidas para revestimento a Rua das Flores, Rua Aquibadan, Rua do Príncipe, Rua do Pecado e a Rua dos Tinguis e muitas outras somente estavam sendo preparadas com a sarjeta. Enfim, uma grande cidade, orgulho de um povo.

Aquela era uma gente feliz. Os amigos se visitavam, perto ou longe se ouvia a voz do seresteiro entoando uma canção à sua amada, aos sábados, geralmente, nos arrebaldes os bailes cruzavam as noites nos acordes da sanfona e o povo era ordeiro, pacato e trabalhador. Foi nessa atmosfera que, não muito longe do agito, alguns homens livres e de bons costumes, reunidos, acharam por bem discutir mais uma Loja Maçônica no Oriente de Curitiba.

E aconteceu, conforme está registrado em Ata, que em lugar devidamente coberto e com quórum exigido pelo artigo 178 dos Regulamentos Gerais da Ordem, instalou-se a primeira sessão dos

trabalhos, na residência do Ir∴ JOAQUIM D´ALMEIDA FARIA SOBRINHO, sendo este indicado para dirigir os trabalhos.

Ato contínuo, e para que tivesse amparo legal, os presentes, para satisfazerem o que estatui o artigo 65 da Constituição da Ordem Maçônica exibiram os seus respectivos diplomas de maçons.

Após estas formalidades, tudo conforme ata da época, elegeu-se a primeira Diretoria da Loja com a seguinte composição:

VEN.:    JOAQUIM D´ALMEIDA FARIA SOBRINHO
1º VIG.: ANDRÉ BRAZ CHALRIE
2º VIG.:    JOSÉ ANTÔNIO MARTINS
ORADOR.:    CÂNDIDO MARTINS LOPES
SECR.:    LUIZ FERREIRA DE FRANÇA
TES.:    JOAQUIM JOSÉ BELARMINO BITTENCOURT
M.: CER.:    AURÉLIO JESUS RIBEIRO DE CAMPOS
1º DIAC.:    FERNANDO SCHNEIDER
2º DIAC.:    GERMANO LINDERMANN
HOSP.:    PREVISTO GONÇALVES DA FONSECA COLUMBIA
CHANC.:    JOAQUIM BARRETO DA GAMA LOBO PITTA
EXP.:    JUSTINIANO DE MELLO E SILVA

Na oportunidade, foram apresentadas três propostas e uma emenda para o batismo da Loja, assim registradas: a-) a primeira LOJA DA ETERNA LUZ - Justificativa: Eterna, o mesmo que dura para sempre, infinita; LUZ, fulgor, brilho iluminante, como sabedoria de DEUS que, não teve princípio e permanecerá para sempre, augúrios de que a Loja tenha uma vida perene. b-) a segunda - LOJA DOS 12 APÓSTOLOS DE CRISTO - Justificativa: primeiramente porque estavam em número de 12 e de cuja missão, não muito se distanciava do Senhor, que era fazer o bem sem recompensas. Dar o que de graça recebeste, sarar os enfermos, levar as boas novas do Evangelho a todos os Povos. c-) a terceira - LOJA NOVA JERUSALÉM - Justificativa: Invocava um trecho do Apocalipse: As suas portas nunca jamais se fecharam de dia, porque nela não haverá noite e lhe trarão a glória e a honra de todas as nações. d-) por último - um obreiro não identificado pediu para fazer um adendo na segunda proposta e sugeriu  substituir os "12 de Cristo" por CARIDADE, ficando APÓSTOLO DA CARIDADE, que após discutido, foi aprovado por unanimidade o nome da nova LOJA, de AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA SIMBÓLICA APÓSTOLO DA CARIDADE.

E a luz resplandeceu sobre todos. A LOJA APÓSTOLO DA CARIDADE , erigiu suas colunas ao topo aclamando BENDITO SEJA PARA TODO O SEMPRE, NO CÉU E NOS CÉUS DOS CÉUS, À GLÓRIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.

A sugestão fora muito bem aceita, pois, de fato, não havia apenas 12 luzes naquela noite de 05 de novembro de 1875 e sim 13, sendo uma mais intensa, já que tratava-se da presença do Grande Arquiteto do Universo, que inspirou sua vontade, qual seja: a de que os IIr∴, verdadeiros Apóstolos desta Loja, tivessem como emblema eterno - a CARIDADE. De lá para cá, passaram-se 140 anos de serviços prestados à humanidade.

A A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica” desde os tempos imemoráveis tem sido patrimônio de amor, glorificando o Senhor e edificando a Maçonaria Universal.

Seus Obreiros sempre desempenharam suas missões e nós ufanamos em dizer que homens de bem e dotados de saber, fizeram parte do nosso quadro, senão vejamos por exemplo:
Constantino Ferreira Bello, José Fernandes Loureiro, Antonio da Silva Barreto, Candido Martins Lopes, Generoso Marques dos Santos, Francisco da Fontoura Mena Barreto, Manoel Macedo, Max Rosemann, Francisco Fido Fontana (doador do terreno hoje é o Passeio Público), Afonso Alves de Camargo, André de Barros, benfeitor da 1ª Santa Casa, junto com o Dr. João Cândido da Silva Muricy, Caetano Alberto Munhões, Benvindo Gurgel do Amaral Valente, Jaime Reis, este foi além de Venerável, o Grão Mestre da Ordem nos idos de 1906, Dr. Marins Camargo, Dr. Trajano Reis, Vieira Cavalcante, Leocádio Pereira da Costa, Manoel Eufrásio de Assumpção, Euclides Bevilaqua, Augusto Stresser, Mário de Barros, Romário Martins, Coronel Luiz Xavier e muitos outros nomes cuja relevância foi reconhecida pela sociedade paranaense, que hoje são patronos de praças, jardins, ruas, avenidas, logradouros e locais públicos.

A Maçonaria foi, e ainda é, protagonista de inúmeros fatos históricos, que se não fossem suas intervenções, os acontecimentos seriam outros e nossa realidade seria diferente.
Sem a querer fazer disso uma vaidade, a Loja Apóstolo da Caridade orgulha-se, no melhor dos sentidos, em ter sua parcela de culpa  na construção da história nacional e principalmente a paranaense e a luta pela abolição dos escravos é um exemplo.

À época, 1875 e 1888, quem ousasse falar de abolição dos escravos, estaria passivo de severas punições pelo Império. Por isso, há pouquíssimo, quase nada, sobre a situação da Maçonaria nesta parte da história. No entanto, sabe-se que os maçons para não serem reconhecidos adotavam nomes simbólicos. A perseguição era grande, mas não o bastante para assustar os bravos.

A A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica” junto com as demais Lojas do Paraná, resolveram, por meio de cotização entre os IIr∴, comprar escravos, a medida que seus recursos provinham o preço pedido, para então conceder-lhes imediatamente a carta de alforria, resgatando a dignidade humana através da LIBERDADE e IGUALDADE entre os homens, escopo da Maçonaria.

Ao longo dos anos a A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica”, conscientizou-se de que sem teto fadaria ruir suas colunas e o ânimo desses valorosos obreiros fora tomado de FORÇA E VIGOR. O objetivo agora é ter sua sede própria.

Uma semente especial foi plantada na Rua Curupis, n. 933, bairro Santa Quitéria. O solo sadio, a terra fértil, o cultivo e o trato sem tamanho despendido pelos destemidos obreiros desta Augusta Loja, dentre outros fatores, facilitaram a sua germinação, eclodindo do chão este belo e rijo Templo. Materializou-se assim um, até antão empírico, monumento que estava há muito cravado nos corações dos IIr∴da A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica”.

E aos 15 dias do mês de março de 1984, flambou avidamente as esperanças dos filhos da A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica”. O estandarte da L∴exaltava-se no seu esplendor e com os corações repletos de entusiasmo foi bradado pelos obreiros o grito de LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE e GLÓRIA ETERNA AO G∴A∴D∴U∴ - a vontade ficou acima da ideia - nascia o TEMPLO DA LOJA APÓSTOLO DA CARIDADE.

Seria injustiça não falar das valorosas senhoras que compunham a já criada Associação Feminina Apóstolo da Caridade - AFAC, que muito contribuíram para o alvorecer deste Templo. Mulheres que são exemplos de grandeza e virtude e que compartilharam seus ensinamentos e ideais às novas cunhadas. A elas, o reconhecimento da A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica”, aliada à nossa eterna gratidão.

Inobstante a árdua luta de construção do Templo, a Loja nunca se descurou da beneficência, que fale por nós, o Pequeno Cotolengo do Paraná, o Hospital São Roque, a Federação Espírita do Paraná, a Creche Amar, a Creche Josefina Rocha, a Creche do Menino Jesus, a Associação Dr. Raul Carneiro, mantenedora do Hospital Pequeno Príncipe e do Hospital de Crianças da Silva Jardim, as centenas de internações no Hospital de Clínica e na Santa Casa de Misericórdia, do Albergue São João Batista, também faz parte do acervo da Loja A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica”, o Lar dos Meninos do Xaxim e muitos outros.

A Loja não se furtou, mesmo que com parcelas pequenas, em contribuir com os flagelos do fogo do Norte do Paraná, nem tão pouco com aqueles que sofreram com a enchente do Sul. Não nos esquecemos de se fazer presentes na desgraça da Nicarágua ou dos Nordestinos assolados pela seca.

Afora isso, um sem número de muletas, aparelhos ortopédicos, botas mecânicas, aparelhos de audição, óculos e vez por outra, até em dinheiro temos auxiliado aqueles que nos procuram e que realmente necessitam. Isto é um mínimo que podemos relatar. Todavia, somente para poder afirmar com sinceridade que a beneficência foi, é, e sempre será o ponto de honra desta Loja.

A A∴R∴L∴S∴ - Apóstolo da Caridade - nº 344 “Cruz da Perfeição Maçônica” busca estender e fortalecer os laços fraternais criados dentro de nossa Oficina para nossas famílias, através de eventos que, criar um ambiente familiar, arrecada bens, alimentos e bons fluídos aos necessitados.